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Uma celebração da consciência

Dia 25 de dezembro é comemorado o Natal por aqueles que seguem o Cristianismo, em comemoração ao nascimento de Jesus Cristo, “enviado por Deus para livrar o pecado dos homens”. Porém, existem outras comemorações, que também são datadas no final do ano, que abrangem outras religiões, como é o caso do Hanukkah para os judeus, também conhecido como o Festival das Luzes, e celebra a vitória da luz sobre a escuridão, da pureza sobre a degeneração e da espiritualidade sobre o materialismo, além de marcar a luta dos judeus contra os seus opressores pelo direito de praticar sua religião livremente. Uma outra celebração, pouco conhecida no ocidente, é o Kwanzaa. Difundida entre os negros no continente africano e os afroamericanos e é o tema central deste texto.

Uma festa, também de caráter religioso, e que dura sete dias, o Kwanzaa é muito comum na comunidade afroamericana e entre negros da diáspora. Aqui no Brasil, o Kwanzaa ainda é bastante desconhecido, restringindo-se apenas a pequenos grupos de militantes panafricanistas que têm conhecimento do papel histórico do povo africano e possuem a consciência de reconstruir essa memória entre eles. Originário da expressão “matunda ya kwanza” que significa “primeiros frutos”, a celebração é típica dos povos ancestrais e pode ser enxergada também como a “festa da vitória da vida contra a morte, da luz contra as trevas, da colheita farta que garantia a continuidade da tribo contra a ameaça da fome e do extermínio”, por quem a celebra.

A Celebração

A simbologia da celebração relembra não apenas os antepassados africanos, que comemoravam as colheitas, como os nossos contemporâneos que seguem fazendo o mesmo no continente-mãe, perpetuadas por povos como os Zulus, tanto quanto por pequenos agrupamentos, como os Matabelos, os Thonga e os Lovedus, todos localizados no sudeste do continente. Apesar de, originalmente e ainda em algumas regiões, a comemoração acontecer sempre que existe a colheita, a data estipulada para celebrar fora da África foi atribuída a um professor de estudos africanos da Universidade da Califórnia, Maulana Karenga, durante um conflito que ficou conhecido como “o movimento pelos direitos civis americanos”, que durou mais de uma década e virou a sociedade racista dos Estados Unidos de cabeça para baixo. O Kwanzaa foi celebrado pela primeira vez de 26 de dezembro de 1966 a 1 de janeiro de 1967. Como contexto histórico americano, temos que  Martin Luther King seria assassinado um ano mais tarde e os negros americanos brigavam pelo direito ao voto.

Dividido em sete dias, o Kwanzaa também possui sete ideais, ou princípios, que regem a celebração, são eles: Umoja (união), Kujichagulia (auto-determinação), Ujima (trabalho coletivo e responsabilidade), Ujamaa (economia cooperativa), Nia (propósito), Kuumba (criatividade) e Imani (fé). Cada dia também tem seu ritual. No primeiro dia do Kwanzaa, que é celebrado no dia 26 de dezembro, o líder ou ministro convida todos a se juntarem e os cumprimenta com a pergunta oficial: “Habari gani?” (o que está acontecendo), que é respondida com o nome do primeiro princípio “Umoja”. O ritual é repetido durante os dias da celebração, mas as respostas mudam para refletir o princípio associado àquele dia.

A libação é então realizada por um dos adultos mais velhos e uma pessoa – geralmente a mais jovem – acende uma vela do Kinara. O grupo discute o significado do princípio do dia e os participantes podem contar uma história ou cantar uma música relacionada a esse princípio. Os presentes são oferecidos um a cada dia ou podem ser todos trocados no último dia do Kwanzaa. O banquete do Kwanzaa é no dia 31 de dezembro. Ele não inclui só comida, é também um momento de cantar, orar e celebrar a história e a cultura africana. O dia 1º de janeiro, o último dia do Kwanzaa, é um momento de reflexão para cada um e para todo o grupo. As pessoas se perguntam: “quem sou eu?” “sou realmente quem digo que sou?” e “sou tudo o que posso ser?” A última vela do Kinara é acesa e então todas as velas são apagadas sinalizando o fim do feriado.

Débora Eloyhttp://www.obirin.com.br
Por definição: companheira, caridosa, desenrolada, amorosa, avexada, doce, paciente, disposta. Por autoria: estabanada, carente e abestalhada

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